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Eficácia da vacina da Moderna é quase 95%, mostram resultados preliminares

Os dados preliminares da terceira fase de estudos clínicos da vacina foram avaliados por um comitê independente.

16 de novembro de 2020
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Eficácia da vacina da Moderna é quase 95%, mostram resultados preliminares

Foto: JOEL SAGET/AFP/JC

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A empresa de biotecnologia norte-americana Moderna anunciou nesta segunda-feira (16) que a sua candidata à vacina contra a Covid-19, desenvolvida em parceria com o governo dos EUA, apresentou eficácia de 94,5% em uma análise interina dos dados.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês), que é parceiro da empresa na produção da vacina, disse em entrevista que ficaria satisfeito já com uma eficácia de 75%. “Nós aspirávamos por 90%, 95%, mas não esperava encontrar esse resultado. Eu achei que teríamos um resultado razoável, mas 94,5% é muito impressionante.”

Os dados preliminares da terceira fase de estudos clínicos da vacina foram avaliados por um comitê independente.

A diretora executiva da Moderna, Stéphane Bancel, disse em um comunicado que os resultados iniciais demonstram “a primeira validação clínica que nossa vacina pode prevenir contra a doença Covid-19, incluindo proteção contra quadro severo.”

Se confirmadas essas descobertas, a vacina da Moderna, assim como a da Pfizer, com eficácia de mais de 90% anunciada na última semana, podem ser as primeiras vacinas a impedir a infecção pelo novo vírus. No comunicado da última segunda-feira (9), a Pfizer não apontou se sua vacina teria eficácia em proteger contra o quadro severo da doença.

Assim como a concorrente, a vacina da Moderna utiliza uma plataforma genética para induzir resposta imune no organismo. A ideia é utilizar trechos do RNA do vírus, notadamente aqueles responsáveis pela codificação da proteína S da espícula do vírus, para induzir a produção de anticorpos e células de defesa. Ao ter contato com o vírus verdadeiro, o sistema imune estará preparado para impedir a infecção e a replicação viral.

Para Barry Bloom, pesquisador de saúde pública na Universidade de Harvard, as duas vacinas, da Moderna e da Pfizer, confirmam uma nova era em pesquisas de imunizantes. “O fato de duas vacinas distintas, que usam estruturas diferentes em uma nova plataforma de RNA mensageiro, terem uma eficácia tão alta, confirma a ideia para todos de que essa é uma estratégia viável não só para a Covid-19, mas para todas as doenças infecciosas futuras”, disse.

A terceira fase de testes em humanos da Moderna conta com a participação de 30 mil indivíduos saudáveis com mais de 18 anos nos Estados Unidos. Para avaliar a eficácia, um comitê externo com integrantes escolhidos pelo próprio Niaid avaliou os primeiros 95 casos de Covid-19 do estudo. Apenas cinco desses casos surgiram no grupo que recebeu o imunizante, enquanto os outros 90 foram no grupo que recebeu o placebo (o chamado grupo controle).

Com isso, os pesquisadores concluíram que a eficácia da vacina era de 94,5%. Os dados preliminares também apontaram para a ocorrência de 11 casos severos da doença, mas nenhum deles foi identificado entre os participantes que receberam a vacina. O imunizante também não apresentou até o momento efeitos adversos severos, mostrando-se seguro.

As vacinas genéticas, contudo, possuem uma dificuldade logística, já que necessitam de armazenamento em ultracongeladores em temperaturas muito baixas (-20˚C). Este pode ser um fator complicador para o transporte e a entrega da vacina em países tropicais e mais pobres, uma vez que ultracongeladores são equipamentos caros e raramente disponíveis.

A Moderna afirmou, no entanto, que as suas vacinas podem ser armazenadas em refrigeradores por até 30 dias e que a vacina se mantém integra por até 12 horas em temperatura ambiente. Em entrevista à revista Veja em outubro, o CEO da Pfizer no Brasil afirmou que as doses da sua candidata à vacina podem ser armazenadas por até 15 dias em frascos com gelo seco.

No Brasil, não há no momento nenhum acordo com a farmacêutica Moderna para compra e distribuição do imunizante. A Pfizer Brasil avalia acordo com os governos estaduais para venda de doses, mas não há, até o momento, nenhum acordo definitivo.

O jornal Folha de S. Paulo apurou que a empresa chegou a enviar uma proposta ao governo em meados de agosto, mas não obteve resposta, o que foi interpretado como um sinal de pouco interesse na compra.

Embora o governo dos Estados Unidos esteja apoiando o desenvolvimento da vacina da Moderna com um aporte de U$1 bilhão (cerca de R$5,4 bi), a empresa norte-americana afirmou que não há previsão da vacina pronta para os próximos meses. A expectativa é completar os ensaios clínicos de fase 3 e iniciar a produção das doses para a próxima primavera no Hemisfério Norte.

Segundo reportagem do Financial Times de julho, a empresa planeja vender a vacina a um preço de U$ 50 a U$ 60 (cerca de R$ 260 a R$ 320) por esquema completo de vacinação (duas doses com intervalo de 28 dias). Esse valor, de acordo com o jornal, seria mais alto do que o acordado entre outras fabricantes.

A Pfizer fechou um acordo com o governo norte-americano para a compra de 50 milhões de doses da sua vacina até o final de 2020. No acordo, o preço unitário da dose será de U$19,50, com o esquema completo custando U$39 (ou R$210).

Ana Bottallo/Folhapress

 
 
 
Etiquetas: covid19eficáciamodernavacina
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