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A generais Bolsonaro repete ‘meu Exército’ e diz que ele e militares sempre irão agir dentro da Constituição

Bolsonaro disse aos homenageados que "nas mãos dos senhores, a nação está tranquila" e afirmou que as instituições são permanentes

8 de abril de 2021
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A generais Bolsonaro repete ‘meu Exército’ e diz que ele e militares sempre irão agir dentro da Constituição

O presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

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Ao discursar em cerimônia de promoção de oficiais-generais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (8) que o Exército representa “uma estabilidade” para o Brasil e que atua “dentro das quatro linhas da Constituição”. O presidente também voltou a usar a expressão “meu Exército”, que gerou críticas por ser interpretada como uma tentativa de politizar a instituição.

“O nosso Exército, tradição, o nosso Exército de respeito, de orgulho, bem como reconhecido por toda nossa população, representa para o nosso Brasil uma estabilidade. Nós atuamos dentro das quatro linhas da nossa Constituição. Devemos e sempre agiremos assim. Por outro lado, não podemos admitir quem porventura queira sair deste balizamento”, afirmou.

“Agradeço ao meu Exército brasileiro, o qual ainda integro, ao nosso Exército brasileiro, por este momento. Temos certeza que venceremos os desafios e cada vez mais colocaremos o Brasil no local de destaque que ele bem merece”, disse Bolsonaro, em outro momento de seu pronunciamento.

Mais tarde, em uma nova cerimônia, desta vez para cumprimentar os oficiais generais promovidos, Bolsonaro voltou a discursar. Disse que a sociedade sempre contou com as Forças Armadas “nos momentos mais difíceis”.

Bolsonaro disse aos homenageados que “nas mãos dos senhores, a nação está tranquila” e afirmou que as instituições são permanentes.

“A nossa população bem sabe que o nosso compromisso, dentro das quatro linhas da Constituição, será cumprido. O momento que vivemos passará, tenho certeza que dias de glória surgirão e nós poderemos dizer que cumprimos com o nosso dever. Nós passamos, as instituições ficam”, disse.

Em meio a um período crítico da pandemia da Covid-19, Bolsonaro cumprimentou com um aperto de mão cada um dos 57 promovidos -parte dos da Marinha chegou a ser cumprimentada pelo presidente sem máscara. Este não foi o primeiro episódio envolvendo cumprimentos de Bolsonaro a militares durante a pandemia.

Em 30 de abril do ano passado, durante visita ao Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, Bolsonaro chegou a estender a mão, mas recebeu de volta saudação com os cotovelos, como mandava, desde aquela época, a etiqueta médica para evitar a proliferação do novo coronavírus. Na ocasião, porém, muitos estavam sem máscara.

O primeiro a responder com o cotovelo na época foi o general Edson Pujol, que à época era comandante do Exército brasileiro, a autoridade máxima da instituição. Pujol foi demitido na semana passada, após troca em toda a cúpula militar brasileira, no que se tornou a maior crise nas Forças Armadas desde 1977.

​A crise foi deflagrada com a decisão de Bolsonaro de demitir Fernando Azevedo e Silva do comando do Ministério da Defesa. No lugar, Bolsonaro nomeou o ex-ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto.

Segundo interlocutores, o agora ex-ministro da Defesa vinha resistindo a pressões de Bolsonaro por um maior apoio das Forças Armadas na defesa de medidas do governo, principalmente na oposição a políticas de distanciamento social adotadas por governadores e prefeitos. Além do mais, Azevedo vinha bloqueando as investidas do presidente pela saída do general Edson Pujol do comando do Exército.

Como resultado da demissão de Azevedo, Pujol -que participou da cerimônia desta quinta- e os comandantes da Marinha e da Aeronáutica também anunciaram que deixariam seus postos.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo nesta terça-feira, parte expressiva da cúpula do Exército ainda está ressentida com as trocas efetuadas pelo Palácio do Planalto.

A carta de demissão de Azevedo, em que ele argumenta ter preservado as Forças Armadas como “instituição de Estado, também foi interpretada como uma tentativa de Bolsonaro de aprofundar a politização dos militares, o que gerou novas críticas contra o mandatário.

Para tentar evitar o adensamento da crise, Bolsonaro decidiu respeitar critérios de antiguidade na escolha dos novos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.​

Ainda em seu primeiro discurso nesta quinta-feira, Bolsonaro disse que é “muito bom e confortável” ser o “chefe supremo das Forças Armadas” tendo a seu lado os membros dessas instituições.

“Os momentos são difíceis. Vivemos uma fase um tanto quanto imprecisa, mas temos a certeza pelo nosso compromisso, pela nossa tradição, sempre teremos como lema a nossa bandeira verde e amarela; e a nossa perfeita sintonia com os desejos da nossa população. Assim agiremos”, declarou.

O primeiro discurso da cerimônia foi feito pelo general Marcos Antonio Amaro dos Santos, chefe do estado maior do Exército. O militar lembrou que o ato foi reduzido e teve limitação de convidados por conta da pandemia de Covid-19. Ele recomendou que os oficiais promovidos priorizem uma “visão holística de longo prazo sobre a conjuntura passageira”.

Amaro dos Santos também disse que é missão do Exército “defender a integridade do território do nosso pais e as suas instituições”. E em outra declaração lida como uma defesa do papel institucional do Exército, o general usou uma frase de Duque de Caxias em que o patrono da instituição afirmou que sua “espada não tem partido”.

“A virtude personificada por Caxias já mereceu também por parte do comandante supremo das Forças Armadas uma referência especial por ocasião do dia do soldado de 2020. Naquele ocasião, o presidente da República Jair Bolsonaro fez citação à famosa frase proferida pelo duque, que sendo ele do partido conservador mas compromissado com a pátria, ao ser convidado pelo imperador dom Pedro 2º para ser o comandante em chefe na guerra da tríplice aliança [Guerra do Paraguai], assim declarou: ‘Aceito o convite, minha espada não tem partido'”, disse o general.

MINISTROS MILITARES DE BOLSONARO

Casa Civil
Luiz Eduardo Ramos, general da reserva do Exército

Defesa
Walter Souza Braga Netto, general da reserva do Exército

Gabinete de Segurança Institucional
Augusto Heleno, general da reserva do Exército

​Ciência e Tecnologia
Marcos Pontes, tenente-coronel da reserva da Aeronáutica

Minas e Energia
Bento Albuquerque, almirante da Marinha

Infraestrutura
Tarcísio de Freitas, capitão da reserva do Exército

Controladoria-Geral da União
Wagner Rosário, capitão da reserva do Exército

MILITARES QUE JÁ FORAM MINISTROS OU OCUPARAM POSIÇÕES DO ALTO ESCALÃO DO GOVERNO

Secretaria de Governo
Carlos Alberto dos Santos Cruz, general da reserva do Exército

Porta-voz da Presidência da República
Otávio do Rêgo Barros, general da reserva do Exército

Ministério da Defesa
Fernando Azevedo e Silva, general da reserva do Exército

Ministério da Saúde
Eduardo Pazuello, general de divisão do Exército

Secretaria-Geral da Presidência
Floriano Peixoto, general da reserva do Exército

Secretário especial do Esporte do Ministério da Cidadania
Décio Brasil, general da reserva do Exército

Presidente do Incra
João Carlos Corrêa, general da reserva do Exército

Presidente dos Correios
Juarez Cunha, general da reserva do Exército

Presidente da Funai
​Franklimberg Freitas, general da reserva do Exército

 
 
 
Fonte: Folhapress
Etiquetas: BolsonarocerimôniaConstituiçãoForças Armadasgeneraismeu exércitomilitarespolitização
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