O mercado brasileiro despontou no pregão desta quinta-feira (10). O real teve o melhor desempenho dentre todas as moedas do mundo na sessão e a Bolsa brasileira, uma das maiores altas. O dólar fechou em queda de 2,530% ante a moeda brasileira, a R$ 5,0420, menor valor desde 10 de junho. O turismo está a R$ 5,193.
A forte desvalorização da divisa é fruto da sinalização do Banco Central na quarta (9) de que o ciclo de cortes da Selic caminha para um fim, do salto nos preços das commodities e da confirmação pelo Banco Central de que dará saída parcial ao mercado na esteira do desmonte do overhedge.
Na ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que manteve a Selic na mínima recorde de 2%, o comitê sugeriu pela primeira vez que seu ciclo de afrouxamento monetário pode terminar em breve. O comunicado também disse que as condições para a orientação futura ainda se mantêm, mas delineou, pela primeira vez, um cenário no qual essa ferramenta poderia ser retirada.
“O Copom foi bem agressivo em alguns pontos, levando a curva de juros a se fechar. Sinalizaram que vão fazer qualquer movimento para conter a inflação, gerando essa porrada no dólar”, diz Paulo Correa, economista-chefe da Valor Investimentos.
Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. São a principal referência para os juros de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro. Nesta sessão, a taxa do juro para janeiro de 2026 caiu de 6,585% para 6,430%. Segundo Correa, agora o mercado espera uma alta do juros mais cedo, no segundo trimestre de 2021. Antes, a previsão era terceiro trimestre. A expectativa é que a Selic termine o próximo ano a 3%. Uma Selic mais alta beneficia o real pelo fluxo estrangeiro na renda fixa brasileira. No ano, o dólar ainda sobe 25,6%.
Segundo analistas, também beneficia o dólar o fluxo de estrangeiros para a Bolsa. Até 8 de dezembro, há uma entrada líquida de R$ 5,9 bilhões de investimento estrangeiro. Desde outubro, o saldo é de R$ 42 bilhões, atenuando a saída no ano para R$ 45,6 bilhões, sem contar IPOs (ofertas iniciais de ações) e follow-ons (ofertas susequentes de ações).
Neste pregão, o Ibovespa subiu 1,88%, a 115.128,63 pontos, maior valor desde fevereiro. Dentre os maiores mercados de ações, a valorização foi uma das mais expressivas da sessão, atrás apenas da Bolsa da Rússia (2,35%) e da Argentina (3,34%). Em dezembro, o índice brasileiro sobe 5,7% reduzindo a queda acumulada no ano para apenas 0,45%.
Números divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta mostraram que as vendas no varejo no país saltaram para um nível recorde em outubro, em recuperação da crise do coronavírus. Segundo Leonardo Peggau, superintendente de Renda Variável na BlueTrade, a medida da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que prevê autorização para uso emergencial da vacina contra a Covid-19 também beneficiou o mercado brasileiro. “Qualquer notícia sobre vacina é positiva, o mercado olha com bons olhos”.
Outro fator positivo para o mercado de ações brasileiro foi a alta nos preços do petróleo e do minério de ferro, que impulsionaram Petrobras e Vale.
Folhapress














