Todo 8 de março é marcado por homenagens, discursos e buquês de flores. As redes sociais se enchem de mensagens bonitas celebrando a força das mulheres. Mas, enquanto isso acontece, a realidade fora das telas continua sendo dura e muitas vezes fatal.
Os números mostram isso sem maquiagem. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o maior número da última década. Isso significa que mais de quatro mulheres foram assassinadas por dia no país apenas por serem mulheres. O dado representa um aumento em relação a 2024, quando foram registrados 1.492 casos.
Alguns levantamentos indicam que a situação pode ser ainda mais grave. Um relatório sobre violência de gênero apontou 2.149 mulheres assassinadas em casos classificados como feminicídio, além de milhares de tentativas, chegando a uma média de quase seis mulheres mortas por dia no país.
Por trás de cada número existe uma história interrompida. São mães, filhas, trabalhadoras, mulheres que tinham planos e uma vida inteira pela frente. Muitas foram mortas dentro de casa, no lugar que deveria ser o mais seguro, e por homens que fizeram parte da própria vida delas.
Diante disso, as homenagens vazias soam quase como ironia. Flores são bonitas, mas não impedem a violência. Mensagens nas redes sociais não salvam quem vive com medo.
Talvez seja hora de dizer o óbvio: mulher não precisa de flores, precisa de respeito, proteção e justiça. Porque enquanto mulheres continuarem morrendo todos os dias no Brasil, qualquer homenagem será pequena diante da urgência de garantir algo básico: o direito de continuar vivas.














