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Não tenho padrinho político, diz Capitão Wagner sobre evitar imagem de Bolsonaro em Fortaleza

Na capital cearense, não se vê fotos dele ao lado do presidente em nenhum material de campanha

24 de novembro de 2020
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Não tenho padrinho político, diz Capitão Wagner sobre evitar imagem de Bolsonaro em Fortaleza

Foto: Capitão Wagner (Pros)/Reprodução/Instagram

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O deputado federal Wagner Sousa Gomes, 41, o Capitão Wagner (PROS), que disputa o segundo turno para comandar Fortaleza, preferiu não utilizar o apoio anunciado por Jair Bolsonaro (sem partido) antes ainda do primeiro turno. Na capital cearense, não se vê fotos dele ao lado do presidente em nenhum material de campanha.

No horário eleitoral para o segunto turno, o deputado, que enfrenta José Sarto (PDT), cita quatro frases ou ações de Bolsonaro.

Com duas disse concordar -o auxílio emergencial e a finalização da transposição do rio São Francisco-, e com outras duas, discordar: quando o presidente chamou a Covid-19 de gripezinha e quando disse, sobre o aumento do número de mortos pela doença, que não era coveiro.

Nesta entrevista à Folha de S.Paulo, Capitão Wagner diz que é independente de Bolsonaro, fala sobre sua participação nos motins da Polícia Militar no Ceará e sobre a estratégia a ser adotada em relação à pandemia caso seja eleito.

Sarto lidera a disputa eleitoral com 53% das intenções de voto no segundo turno. Capitão Wagner aparece com 35%, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

PERGUNTA – Por que o senhor não tem utilizado na campanha o apoio que o presidente Jair Bolsonaro lhe deu antes ainda do primeiro turno?

CAPITÃO WAGNER – Agradeci ao presidente, é importante que alguém daqui tenha acesso a ministros, e minha presença como deputado federal em Brasília me deu essa possibilidade. Mas não tenho padrinho político e minha vida pública têm muita independência. Ninguém vai ditar como conduzir meu mandato, votei matérias a favor e contra o governo nesse período como deputado federal.

P. – Mas o senhor acha que perderia votos se colocasse o presidente em sua campanha?

CW – É questão de independência. Por exemplo, temos o apoio do senador Eduardo Girão [Podemos-CE], trabalhamos também na eleição e indicação dele em 2018, mas logo depois de eleito trocou de partido e temos posições diferentes.

Ninguém interfere em meu mandato e eu não interfiro no de ninguém. Não tenho padrinho político, diferente de meu adversário, que tem os Ferreira Gomes [os irmãos Ciro e Cid Gomes].

P. – O senhor iniciou a campanha querendo desvincular a imagem de especialista apenas em segurança pública pelo fato de sua carreira na polícia. Acha que conseguiu?

CW – Isso é desde a campanha de 2016 [quando perdeu no segundo turno para o atual prefeito, Roberto Cláudio, do PDT]. Logicamente por ser profissional da segurança vinculam muito a essa área, mas consegui desmistificar isso ao discutir outras pautas, como educação e saúde nos meus mandatos como deputado estadual e também federal.

P. – O seu adversário conseguiu apoio no segundo turno de 7 das 9 candidaturas derrotadas no primeiro turno e o senhor de nenhum -Heitor Férrer [Solidariedade] e Heitor Freire [PSL] se declararam neutros. Por que acha que isso aconteceu?

CW – Aconteceu também em 2016, uns viram neutros, e o restante foi apoiar meu adversário. Isso não vai determinar a vitória, me favorece porque todos os políticos se juntam do mesmo lado e nós apresentamos a renovação.

P. – A mais recente pesquisa coloca o senhor atrás de seu adversário. Acha que pode atrapalhar o fato de a campanha do segundo turno, por causa da pandemia, ser mais curta?

CW – A propaganda foi para a rua, agora temos tempo de TV e rádio igual, o que não houve no primeiro turno quando ele [Sarto] pôde bater em mim e na candidata do PT [Luizianne Lins, terceira colocada] à vontade. Vou apresentar minhas propostas e mostrar que meu adversário no tempo de Assembleia o que mais fez foi projetos de nome de rua.

P. – Um dos ataques de seus adversários é o de que o senhor teria participado do motim de policiais militares de 2020, o que o senhor nega. Mas no de 2011 para 2012 o senhor admite ter tido posição de liderança. Por que o senhor acredita que o de 2011 e 2012 deveria ter ocorrido e o de 2020, não [a lei proíbe a paralisação de policiais militares]?

CW – O de 2012 [foi de dezembro de 2011 a janeiro de 2012] nem o comandante da polícia, nem o governador à época [Cid Gomes] sentaram para conversar, não houve diálogo. Lideramos aquele movimento e conseguimos uma anistia geral e quem deu inclusive foi o governo do PT [Dilma Rousseff, em agosto de 2012].

Nesse momento o governador [Camilo Santana, do PT] tenta me desgastar com isso sendo que em seis anos nunca disparou uma crítica. Ele está com uma metralhadora giratória contra mim, acho até que o Ciro roubou a senha das redes sociais do governador.

P. – Por que o senhor acha que o Ciro Gomes, normalmente tão combativo, está afastado dessa campanha em Fortaleza?

CW – A rejeição dele aqui está alta, pela maneira como trata as pessoas. Se acha o dono do Ceará.

Caso seja eleito qual será a sua prioridade com relação à Covid-19? Acho que, como todos os gestores, a busca pela vacina será incessante. Logo que surja, a função de qualquer gestor será buscá-la para atender sua população. Temos que agir para que Fortaleza esteja preparada.

Por exemplo: o atual gestor ainda não adaptou as escolas municipais para receberem os alunos, só as particulares voltaram à aulas. Temos que atuar para que os alunos não percam também o ano letivo em 2021.

P. – Como a prefeitura pode ajudar o governo estadual no combate às facções criminosas?

CW – A situação está complicada, pessoas vivendo em situação preocupante, algumas precisam deixar suas casas. Nessa eleição tem líder do Comando Vermelho obrigando os moradores a votarem em seus candidatos, teve assessor meu que precisou sair de casa se continuasse fazendo campanha para mim em uma comunidade.

Marcel Rizzo/Folhapress

 
 
 
Etiquetas: capitãowagnereleições2020Fortaleza
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