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Presidenciáveis defendem impeachment de Bolsonaro, e partidos tentam superar 2022 para engrossar frente

A defesa do impeachment de Jair Bolsonaro foi renovada a partir das falas golpistas do presidente no 7 de Setembro, com a adesão de novos partidos e presidenciáveis

9 de setembro de 2021
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O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-PI), durante lançamento do Plano Safra 2021/2022, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

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A defesa do impeachment de Jair Bolsonaro (sem partido) foi renovada a partir das falas golpistas do presidente no 7 de Setembro, com a adesão de novos partidos e presidenciáveis.

Enquanto o desafio para os recém-chegados, como João Doria (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB), que deram declarações favoráveis à saída de Bolsonaro nesta terça (7), ainda é unificar as bancadas do partido nesse sentido, o PT de Lula e o PDT de Ciro, que buscam o impeachment há mais tempo, querem ampliar o isolamento de Bolsonaro.

Em comum, os partidos e seus líderes negam cálculo eleitoral ao estimular a remoção de Bolsonaro, mas, nos bastidores, há conversas sobre qual seria o melhor cenário para 2022 e resistência em formar uma frente ampla, da esquerda à direita, para elevar a pressão pelo impeachment.

Políticos defensores do impeachment planejam engrossar a mobilização apesar da fragmentação da oposição e apesar da sinalização do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), nesta quarta (8), de que não levará o assunto ao plenário.

À reportagem, por meio de uma nota, o ex-presidente Lula afirmou que “nunca na história do Brasil um presidente teve tantas razões para ser ‘impichado’ como Bolsonaro”. “Seja pelos ataques às instituições e à democracia, seja pelo envolvimento com as rachadinhas e as milícias, seja pelo gabinete do ódio e das fake news, seja pelas sabotagens que promoveu no combate ao coronavírus”, afirmou em nota enviada à reportagem nesta quarta.

O ex-presidente vem defendendo o impeachment em entrevistas desde 2020. Com base nisso, o PT rebate a tese de que, para Lula, o ideal é deixar Bolsonaro no poder até 2022, já que as pesquisas indicam vitória folgada do petista sobre o presidente.

Para setores do PT, no entanto, o impeachment de Bolsonaro pode significar um ganho duplo em relação à eleição de 2022.

Há, nos bastidores, a expectativa de que partidos que se somem à luta pelo impeachment, mesmo os de direita, se sintam constrangidos, num segundo turno entre Lula e Bolsonaro, a declarar apoio ao presidente -como aconteceu em 2018.

Ou seja, se Bolsonaro sofrer o impeachment, Lula veria eliminado da disputa seu principal rival -haveria o risco de derrota para outro nome, mas petistas se fiam nas pesquisas que, hoje, mostram o ex-presidente vencedor em qualquer disputa.

Porém, caso o impeachment não ocorra, uma coalizão ampla em sua defesa representaria, no futuro, o isolamento de Bolsonaro na eleição.

Nesse sentido, siglas de esquerda comemoraram a adesão de novos partidos ao impeachment. Após os atos bolsonaristas, além de PSDB, PSD e MDB abriram discussões internas sobre crimes de responsabilidade do presidente. Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, se posicionou a favor do impeachment.

Cresceu a pressão por atos de rua unificados, da esquerda e da direita, em resposta a Bolsonaro. Até o momento, a iniciativa mais ampla pelo impeachment foi o superpedido apresentado em junho por partidos de esquerda, entidades da sociedade civil, MBL (Movimento Brasil Livre) e alguns deputados de direita.

Agora, há discussão sobre convocar um protesto de forma conjunta, enquanto o protesto “fora, Bolsonaro” do MBL e do VPR (Vem Pra Rua), marcado para domingo (12), ganha adesões da esquerda -em meio à resistência dos petistas e da identificação da terceira via com a convocação.

Para definir os próximos passos para o impedimento, o grupo de partidos que já vêm tratando do tema de forma unificada (PT, PDT, PSB, PSOL, PC do B, PV, Rede e Cidadania), inclusive apresentando pedidos de impeachment, se reuniu nesta quarta para construir um ato nacional único.

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), disse que foram convidados outros partidos ao centro, “especialmente os que têm origem na luta pela redemocratização”, mas só teve adesão do Solidariedade. PSD, DEM e MDB alegaram que o tema ainda está sendo discutido internamente e nas bancadas federais.

O PSDB declarou nesta quarta ser oposição a Bolsonaro, após votação unânime da executiva nacional neste sentido, e conclamou “as forças do centro democrático a formar uma frente de oposição” -deixando o PT de lado. A nota da direção tucana afirma que “o modelo político e econômico petista [é] também responsável pela profunda crise que enfrentamos”.

No PSDB, que terá prévias presidenciais entre Doria e Leite, a adesão ao impeachment será discutida e aprofundada entre as bancadas e os líderes tucanos. Há duas considerações eleitorais conflitantes.

Por um lado, a remoção de Bolsonaro abre caminho para que a terceira via chegue ao segundo turno contra Lula. Mas a defesa do impeachment pode fazer com que os candidatos percam votos de bolsonaristas e antipetistas que pretendem conquistar nesse eventual segundo turno.

O presidenciável Ciro Gomes (PDT), que há tempos defende o impeachment, reforçou após os atos do 7 de Setembro a necessidade de uma ação conjunta a fim de garantir a estabilidade democrática e a realização das eleições de 2022. O PDT endossa formalmente pedidos de afastamento do mandatário.

Nesta quinta (9), Ciro anunciou que irá ao ato do MBL e Vem Pra Rua no dia 12 e disse que a questão está acima de partidos e posicionamentos ideológicos. “Seja qual for o sacrifício e risco que isso represente, há algo maior que tudo: o futuro do Brasil e da nossa democracia”, escreveu.

“Ele não tem nenhuma chance contra nenhum de nós [na eleição]”, afirmou o pedetista.

A legenda de Ciro reiterou nesta quarta esforços pelo andamento de um processo contra Bolsonaro na Câmara dos Deputados, buscando uma aproximação entre forças da esquerda à direita em nome do afastamento. O partido endossa ainda manifestações de rua pela derrubada do mandatário.

Também lançados na terceira via, os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Simone Tebet (MDB-MS) já deram declarações nas redes sociais favoráveis à abertura do processo de impeachment.

Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que também constrói sua candidatura, se mantém neutro. Seu principal fiador, Gilberto Kassab (PSD), deu passos em direção ao impeachment ao criar uma comissão sobre o tema no partido.

PSL e DEM divulgaram nota de repúdio às falas de Bolsonaro contra as intituições, mas sem mencionar impeachment, embora deputados dessas siglas, como Junior Bozzella (PSL-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP), sejam favoráveis ao impedimento.

Nesta quarta, o Podemos declarou ser contra a remoção de Bolsonaro. Já Cidadania e Novo haviam deliberado apoio ao impeachment antes dos protestos de 7 de Setembro.

 
 
 
Fonte: FOlhapress
Etiquetas: 2022BolsonarodefendemimpeachmentPartidospresidenciáveis
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