Com a aproximação das eleições de 2026, as pesquisas de intenção de voto ganham cada vez mais espaço no debate político. Datafolha, Quaest, AtlasIntel, Paraná Pesquisas, Ipec e outros institutos apresentam números que ajudam a acompanhar o comportamento do eleitorado. Mas quais deles chegaram mais perto do que efetivamente apareceu nas urnas nos últimos pleitos?
Uma análise das eleições de 2022 mostra que não existe um instituto que acerte todas as disputas. O desempenho pode mudar conforme a eleição, o estado e até mesmo entre o primeiro e o segundo turno.
Na disputa presidencial de 2022, por exemplo, o AtlasIntel foi um dos institutos que mais se aproximaram do resultado do primeiro turno. Sua última pesquisa apontava Lula com 50,3% dos votos válidos e Jair Bolsonaro com 41,1%. Nas urnas, Lula terminou com 48,43% e Bolsonaro com 43,20%. O levantamento chamou atenção principalmente por captar uma votação de Bolsonaro superior à indicada por vários dos principais institutos naquele momento.
Já no segundo turno presidencial daquele ano, o Paraná Pesquisas ficou bastante próximo do resultado final. Na véspera da eleição, apontou Lula com 50,4% e Bolsonaro com 49,6%. O resultado das urnas foi de 50,90% para Lula e 49,10% para Bolsonaro. Datafolha e Quaest apontavam 52% a 48%, enquanto o Ipec indicava 54% a 46%.
Quem chegou mais perto do resultado presidencial de 2022?
E no Ceará?
A eleição para o Governo do Ceará em 2022 também é um exemplo interessante para avaliar os levantamentos.
Elmano de Freitas venceu ainda no primeiro turno. Na totalização oficial, o petista terminou com 54,02% dos votos válidos, contra 31,72% de Capitão Wagner e 14,14% de Roberto Cláudio.
Entre as pesquisas realizadas nos últimos dias daquela campanha, o AtlasIntel foi um dos levantamentos que melhor captou a vantagem de Elmano sobre Capitão Wagner. Pesquisa realizada entre 26 e 30 de setembro apontava, considerando o total apresentado no levantamento, Elmano com 46,7%, Wagner com 31,5% e Roberto Cláudio com 18,3%.
Outros institutos apresentavam uma disputa significativamente mais apertada. O Ipec apontou 40% para Elmano e 33% para Wagner; o Real Time Big Data registrou 39% a 32%; o Ipespe indicou 33% a 31%; e o Paraná Pesquisas chegou a mostrar praticamente um empate, de 33,3% a 33,1%.
É preciso fazer uma ressalva: comparar diretamente esses percentuais com o resultado oficial exige cuidado, porque pesquisas podem divulgar números sobre o total de entrevistados, incluindo brancos, nulos e indecisos, enquanto o resultado oficial da eleição considera apenas os votos válidos.
Por isso, mais importante do que observar somente quem chegou a determinado percentual é verificar se o levantamento conseguiu identificar corretamente a tendência, a ordem dos candidatos e a distância entre eles.
O histórico mostra ainda que um bom desempenho em determinada eleição não significa que o mesmo instituto necessariamente será o mais preciso na eleição seguinte. Metodologia, composição da amostra, momento da coleta e mudanças de última hora na decisão dos eleitores podem interferir nos resultados.
Para 2026, a recomendação é acompanhar o conjunto das pesquisas, em vez de utilizar isoladamente o levantamento mais favorável a determinado candidato.
No Ceará, onde Ciro Gomes e Elmano de Freitas protagonizam atualmente a principal disputa pelo Governo do Estado, diferentes institutos já estão realizando levantamentos. Quaest, Atlas/Focus e Datafolha, por exemplo, divulgaram pesquisas recentes sobre a corrida eleitoral cearense.
À medida que o primeiro turno se aproxima, comparar os novos números com o histórico de desempenho dos institutos pode ajudar o eleitor a compreender melhor o que cada pesquisa efetivamente representa, lembrando sempre que pesquisa eleitoral é um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas, e não uma previsão definitiva do resultado das urnas.














