Em depoimento à CPI da Covid, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou ser necessário buscar ações terapêuticas para tratar a Covid-19. Pinheiro citou dados de que as vacinas são menos eficientes em idosos com mais de 80 anos para justificar essa medida.
Sem citar a hidroxicloroquina, medicamento que vem defendendo, também disse ser necessária a capacidade de “nos livrarmos das afirmações categóricas das verdades externas”.
“Usando as palavras do meu mestre, George Magalhães, na verdade as ciências só têm alguma responsabilidade na medida em que aceitem o seu princípio de autocorreção permanente, o que implica dizer que nelas só existem hipóteses, melhores ou piores, mais produtivas ou menos produtivas, nunca verdades”.
Pinheiro também criticou a imprensa e pediu “equilíbrio para dados contrários”.
Imunidade de rebanho
Mayra Pinheiro afirmou que suas posições sobre a estratégia de imunidade de rebanho foram mal compreendidas e que ela acredita que essa estratégia não pode ser usada indistintamente.
“Efeito rebanho não pode ser usado indistintamente entre população porque isso pode resultar em várias mortes”, afirmou, em depoimento à CPI da Covid.
Mayra Pinheiro afirmou que ninguém no governo defendeu essa tese para ela e que ela própria não se recorda de ter se manifestado sobre o assunto. Apenas disse que defendia que as crianças não fossem retiradas das escolas durante a pandemia, mas que isso não representou defender a tese.
Na época, eu defendia que as crianças não fossem retiradas das escolas, o que foi uma das maiores agressões que fizemos com a população”, afirmou.
Falta de oxigênio no Amazonas
Mayra Pinheiro, afirmou que o Ministério da Saúde tomou conhecimento dos problemas de falta de oxigênio medicinal em Manaus através de um email da empresa White Martins, que havia sido repassado pelas autoridades locais para a pasta.
Mayra Pinheiro afirmou que não foi informada do problema da falta de oxigênio no período em que esteve atuando em Manaus, em missão do ministério.
“Não houve uma percepção que faltaria. De provas, é que nós tivemos uma comunicação por parte da Secretaria Estadual que transferiu para o ministro um email da White Martins dando conta que haveria um problema de abastecimento”, respondeu. Posteriormente, ela disse que essa comunicação se deu no dia 8 de janeiro. Pazuello, no entanto, disse à CPI que apenas foi informado do problema na noite do dia 10.
No dia 7 de janeiro, a White Martins enviou email à Secretaria de Saúde do Amazonas na qual informou que não tinha quantidade suficiente de oxigênio para suprir a demanda do estado. No mesmo email, a White Martins aponta o nome de outro concorrente, Carboxi, que poderia ter a carga necessária, segundo documento a que a Folha teve acesso.














