Impressoras 3D, kits de robótica, cortadoras a laser e bancadas colaborativas têm mudado a rotina de estudantes e professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Nos laboratórios maker instalados em diferentes campi da instituição, projetos acadêmicos deixam o papel para se transformar em protótipos, soluções tecnológicas e ações voltadas à comunidade. Mais do que ambientes equipados, os espaços consolidam uma cultura de inovação baseada no “faça você mesmo”, integrando ensino, pesquisa e extensão.
Para a pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação do IFCE, professora Joélia Marques, os laboratórios cumprem papel estratégico na transformação do conhecimento científico em produtos e soluções concretas. “São laboratórios que dão vida aos projetos. Muitas vezes, tiram aquela ideia que está na bancada do laboratório e a transformam em protótipos e produtos reais que podem chegar à sociedade”, explica.
Segundo ela, os ambientes maker também fortalecem a relação entre a instituição e a comunidade externa. “Eles articulam muito bem pesquisa e extensão, porque transformam o que é desenvolvido dentro do IFCE em algo que pode ser utilizado fora da instituição”, destaca. Boa parte desses espaços funciona ainda como laboratório multiusuário, permitindo que pessoas externas desenvolvam projetos em parceria com a instituição.
Segundo lembra a pró-reitora de Extensão do IFCE, a pedagoga Ana Cláudia Uchoa, iniciativas nos campi de Aracati, Fortaleza, Iguatu, Limoeiro do Norte e Maracanaú já promoviam experiências práticas protagonizadas por docentes e estudantes. O grande impulso ocorreu em 2020, com o lançamento de edital do Ministério da Educação que financiou a implantação de laboratórios nos campi onde já havia tradição do “faça você mesmo”, bem como em outras unidades como Sobral e Tabuleiro do Norte.
Nos espaços maker, as possibilidades vão de brindes personalizados para eventos até soluções tecnológicas para demandas institucionais e empresariais. “O estudante assume o protagonismo na tomada de decisão e passa a construir soluções reais”, resume Ana Cláudia.
Estudantes constroem saberes e vivências

No campus de Iguatu, no Centro-Sul do Ceará, o professor Emannuel Diego Gonçalves de Freitas destaca que o Laboratório IFMaker se tornou um ambiente de formação complementar e colaborativa. O espaço recebe minicursos, palestras e projetos voltados à resolução de problemas da região. “O aluno deixa de apenas ouvir teoria para projetar, testar, errar, corrigir e construir”, descreve o docente.
Já na capital, Fortaleza, o Laboratório de Habilidades Computacionais e Cultura Maker (LHAMA), ligado ao Departamento de Física e Matemática, apoia disciplinas de licenciatura, pesquisas de pós-graduação e ações de extensão. Segundo o coordenador, professor Mairton Cavalcante Romeu, o espaço é utilizado em atividades do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e disciplinas como Física Computacional e Fundamentos de Eletrônica. Além disso, cinco alunos do doutorado da Rede Nordeste de Ensino (RENOEN) e três alunos de mestrado do Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PGECM) têm utilizado o espaço para realizar suas pesquisas.

No Litoral Leste, no campus de Aracati, o Laboratório de Ensino Maker (LEMA) ampliou sua estrutura com recursos do MEC e projetos de iniciação tecnológica, fortalecendo ações em robótica e programação. O coordenador, professor Alexandro Lima Damasceno, explica que o LEMA vem ampliando “seu impacto junto à comunidade acadêmica e externa” desde sua instalação no início da década. Sobretudo após uma chamada pública da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), vinculada ao Ministério da Educação, conjunta com o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) que garantiu aporte financeiro para o ensino de programação, ampliando o conjunto de equipamentos disponíveis e viabilizando novas ações formativas.
“Adicionalmente, projetos internos do IFCE, especialmente aqueles vinculados ao Polo de Inovação, tiveram papel importante ao fomentar a concessão de bolsas para estudantes e docentes. Esses recursos contribuíram diretamente para o engajamento da comunidade acadêmica, incentivando a participação nos projetos e ampliando o uso do espaço do LEMA como ambiente de ensino, pesquisa e extensão”, detalha o professor Alexandro.

No Vale do Jaguaribe, o LabMaker do campus Tabuleiro do Norte também se destaca como ambiente de inovação, fabricação digital e prototipagem voltado ao desenvolvimento de projetos tecnológicos. De acordo com o coordenador, professor Valton Chaves Maia, o laboratório possibilita que os estudantes transformem conhecimentos teóricos em aplicações práticas, participando diretamente da criação de soluções e protótipos.
“O estudante acompanha todas as etapas do processo, desde a idealização até os testes e validação dos projetos. Isso fortalece a criatividade, o pensamento crítico, o trabalho em equipe e a autonomia”, afirma o docente. Segundo ele, o espaço também aproxima os alunos das demandas atuais do mercado e das tecnologias utilizadas em ambientes de inovação e indústria.
O principal diferencial do LabMaker é integrar teoria e prática em um ambiente de inovação tecnológica, estimulando o protagonismo estudantil e o desenvolvimento de soluções reais para demandas acadêmicas e da comunidade
Prof. Valton Chaves Maia
O laboratório conta com equipamentos como impressoras 3D, máquina de corte a laser e scanner 3D, adquiridos por meio de investimentos que ultrapassam R$ 70 mil em equipamentos de fabricação digital e prototipagem.

Outro destaque é o Laboratório Maker Mulheres na Matemática, no campus de Canindé, no Sertão Central. O espaço busca ampliar a participação feminina nas áreas STEM, sigla em inglês de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Coordenado pela professora Mikaelle Barboza Cardoso, o projeto reúne estudantes do Ensino Médio e da graduação e recebeu financiamento de R$ 95 mil da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), recurso que lhe permitiu o “maior avanço em termos de infraestrutura, contando com impressoras 3D (monocromáticas e coloridas), impressora multifuncional, notebooks, projetor (data show), máquina de corte a laser, kits de ferramentas, furadeira e kits de arduíno voltados à iniciação em lógica de programação e eletrônica”.
O projeto conta com a parceria da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e abrange as cidades de Fortaleza, Canindé, Redenção e Sobral. “Nosso foco não é apenas o produto final, mas todo o percurso de aprendizagem vivido pelas estudantes”, ressalta.
Com iniciativas espalhadas pelo Ceará, os laboratórios maker do IFCE consolidam uma formação mais prática, interdisciplinar e conectada às demandas sociais e tecnológicas contemporâneas.













