Um processo de interesse da prefeita de Beberibe, Michele Queiroz, aparece entre os casos analisados pela Polícia Federal em uma investigação que apura um suposto esquema de tráfico de influência envolvendo o deputado federal Cezinha de Madureira e atuação junto a tribunais superiores.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa com base na investigação, o caso relacionado à prefeita tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF) e buscava questionar uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Ceará. O processo aparece em mensagens trocadas entre pessoas investigadas pela PF.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores envolve a advogada Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”. Em uma conversa de junho de 2025, ela teria perguntado a Cezinha sobre o andamento da demanda: “Vc despachou?”. O deputado respondeu: “Despachei sim. Ontem”.
Dias depois, Valéria Rodrigues Linhares, esposa de Cezinha e também advogada, teria mencionado diretamente o caso em outra mensagem: “Reclamação da Michelle – Beberibe – conclusa pro Ministro Nunes Marques”.
Segundo as informações publicadas sobre a investigação, havia ainda um contrato de honorários relacionado à causa, com previsão de pagamento de R$ 500 mil após o julgamento.
A Polícia Federal investiga se existia uma estrutura na qual causas de interesse de clientes eram encaminhadas ao parlamentar para que ele utilizasse seu trânsito político e acesso a integrantes de tribunais superiores. Entre os crimes investigados estão tráfico de influência, exploração de prestígio, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A investigação ganhou repercussão após decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou medidas contra os investigados.
Apesar de o processo da prefeita de Beberibe aparecer nas mensagens analisadas pela PF, até o momento não há, nas informações tornadas públicas, comprovação de que Michele Queiroz tenha solicitado diretamente ao deputado Cezinha de Madureira qualquer interferência irregular ou que tivesse conhecimento de eventual prática ilícita.
Também não há indicação, até agora, de que os ministros mencionados nas conversas tenham solicitado ou recebido qualquer vantagem indevida. Cezinha de Madureira nega irregularidades e afirma que irá prestar os esclarecimentos necessários às autoridades.
O caso permanece sob investigação.














