Registro de pessoa sobre animal em decomposição no Litoral Leste do Ceará chama atenção para os perigos do contato com carcaças de mamíferos marinhos
O aparecimento de uma carcaça de baleia-jubarte na Praia da Redonda, em Icapuí, no Litoral Leste do Ceará, na última semana, acendeu um alerta sobre os riscos de aproximação de animais marinhos em decomposição. A situação ganhou repercussão após uma pessoa ser flagrada sobre o corpo do animal, comportamento que pode representar perigo à integridade física e à saúde.
Durante o processo de decomposição, bactérias presentes no interior da baleia quebram os tecidos e liberam gases, como metano e gás sulfídrico. Como a pele e a camada de gordura desses animais são espessas e resistentes, os gases podem ficar acumulados no interior da carcaça, provocando aumento da pressão interna.
Em determinadas condições, uma perfuração ou o rompimento dos tecidos pode provocar a liberação violenta desses gases e de material orgânico. Por isso, subir sobre uma baleia morta ou tentar perfurar seu corpo representa um risco que não deve ser ignorado.
Além da possibilidade de ruptura, o contato direto com o animal oferece perigos sanitários. A decomposição favorece a proliferação de microrganismos, incluindo bactérias capazes de provocar infecções. O contato com fluidos e tecidos contaminados pode expor pessoas a agentes infecciosos, especialmente quando há ferimentos na pele ou contato com mucosas.
Outro fator de risco é a instabilidade da carcaça. A superfície pode estar escorregadia e apresentar áreas fragilizadas pela decomposição, aumentando a possibilidade de quedas e ferimentos. O peso do animal, que pode chegar a dezenas de toneladas, também exige cuidados, principalmente em áreas sujeitas à movimentação das marés.
A aproximação indevida ainda pode dificultar o trabalho das equipes responsáveis pelo monitoramento ambiental, pela coleta de informações científicas e pela destinação adequada da carcaça.
Diante de situações como a registrada em Icapuí, a orientação é manter distância, não tocar no animal, não subir sobre ele e evitar qualquer tentativa de intervenção por conta própria.
Ao encontrar um mamífero marinho encalhado, vivo ou morto, a população deve comunicar os órgãos ambientais responsáveis, como a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou instituições especializadas no monitoramento de encalhes, como a Aquasis, que atua no Ceará.














