
CONTÉM SPOILERS: Terminei o episódio com uma sensação de que House of the Dragon fez aquilo que a trama sabe fazer melhor: trocar grandes guerras por grandes personagens. Não teve dragões queimando exércitos inteiros, porém teve algo mais interessante. A série mostrou que conquistar o Trono de Ferro era só o começo. O verdadeiro desafio é permanecer nele.
Esse episódio inteiro gira em torno da Rhaenyra. E isso funciona porque ela finalmente deixou de ser uma pretendente ao trono para se tornar uma rainha. Agora, tudo têm consequências. Não existe mais espaço para seguir sendo guiada por ideias.
A cena que chamou muita atenção foi a da menstruação. Em outra série, isso passaria despercebido. Nesta, não. Enquanto todos esperam uma rainha forte, fria e inabalável, o roteirista fez questão de lembrar que ela continua sendo uma mulher. Ela sangra, sente dor e carrega um peso que vai muito além da coroa. Não é uma cena sobre fragilidade. É uma cena sobre humanidade.
Outro detalhe são os ratos. Eles aparecem o episódio inteiro pelos corredores da Fortaleza Vermelha. Eles representam exatamente o estado daquele reino. Mudou o rei, mas a podridão continua ali.
A população com fome também ganha um papel enorme. Muito bom a forma como a série mostra que o maior problema de Rhaenyra não são apenas os Verdes. É o povo que não aguenta mais sofrer. A cena do banquete é uma das melhores do episódio. Enquanto os lordes escondiam comida para manter seus privilégios, ela põe ratos diante deles e manda confiscar os estoques para alimentar o seu povo.
O momento chave que me fez lembrar que estamos assistindo a House of the Dragon foi o golpe de Ormund Hightower. Todos acreditavam que finalmente os Pretos haviam colocado as mãos em Daeron Targaryen. O garoto era apenas um camponês usado para enganá-la enquanto o verdadeiro Daeron permanecia livre.
Tem Corlys. Essa foi a primeira vez que eu senti que a confiança entre os dois realmente começou a rachar. Ele perdeu quase tudo pela causa de Rhaenyra e, quando faz um único pedido, recebe mais uma negativa. No fim, acho que o título deste episódio poderia ser exatamente o da minha coluna: O preço do trono.







